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18 Junho 2019

Evento de jovens ruralistas em Gramado

Dicas de gestão financeira, análises sobre abertura comercial brasileira e convites para a renovação na representação sindical do agronegócio fizeram parte da noite de abertura, no dia 14 de junho, da quarta edição do Jovens em Campo — seminário que constitui a 100ª etapa do Fórum Permanente do Agronegócio do Sistema Farsul. O público superou 280 pessoas no Centro de Convenções do Hotel Wish Serrano, em Gramado/RS, a maioria formada por jovens empresários e estudantes de curso superior em áreas relacionadas ao setor, além de lideranças da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/RS) e sindicatos rurais, entre outros.

Diante das novas gerações do agro, o presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, explicou o que há em comum entre a securitização de dívidas e o combate a invasões e desapropriações de terras no Brasil na década de 1990; ou entre a autorização do uso de soja transgênica e a conquista de novos mercados internacionais para o agronegócio. “Essa é a nossa história, são episódios que mostram para que serve o nosso sistema sindical”, afirmou o dirigente, ao palestrar sobre a importância do trabalho de representação política de classe. Gedeão também falou na responsabilidade dos jovens quanto ao sucesso dos empreendimentos já no presente. “Vocês têm uma grande vantagem, que é ter um cérebro diferente”, referindo-se à capacidade dos millennials de adaptação rápida às novas tecnologias.

A superintendente de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Lígia Dutra, analisou a postura de abertura comercial do governo Jair Bolsonaro e os impactos para o agronegócio. Segundo ela, o Brasil negociou, por muitos anos, acordos focados apenas na indústria, mas a tendência mudou a partir da organização do setor produtivo. Porém, Lígia deixou claro que o mercado internacional é baseado em trocas, sendo assim necessário o investimento em qualidade, gestão e tecnologia nas propriedades para a competição global. Além disso, tão importante quanto melhorar os índices produtivos seria mostrar o que se faz. “O mundo quer ouvir vocês”, garantiu.

A visão inovadora que está sendo implementada gradualmente pelo Senar-RS no meio rural foi o assunto abordado pelo superintendente, Eduardo Condorelli, ao lado de outros gestores da instituição. “O maior desafio do Senar-RS é se tornar referência de conhecimento para qualquer público, seja qual for o assunto”, disse. A medida passa, necessariamente, pelo trabalho de aproximação com ambientes tecnológicos que está sendo colocado em curso desde o ano passado, além da criação de produtos avançados e do investimento em assistência técnica e gerencial nas propriedades. No geral, foram 154 mil atendimentos em 2018, nos mais diversos cursos e treinamentos.

Fechando a programação do primeiro dia, o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, mostrou em números os erros de gestão cometidos pelas propriedades típicas de soja e arroz no Rio Grande do Sul. Ele defendeu que o crescimento dos negócios deve ser realizado de forma racional e equilibrada, com base em índices financeiros. O problema é que, em média, os produtores abusam de empréstimos bancários — com juro real acima de 16% ao ano — e não atrelam a compra de máquinas e equipamentos ao lucro dos negócios e à taxa de retorno, errando a mão. “Crédito é muito bom e muito ruim: depende da dose”, alertou da Luz. Para o economista, antes de pensar em expandir as áreas de produção, é preciso verificar se o negócio está suficientemente capitalizado, com índice de liquidez (ativo/passivo) superior a 1, mas isso raramente acontece. Do contrário, seria mais interessante aperfeiçoar o fluxo de caixa, de modo a comprar os insumos em épocas de baixa e comercializar a produção nos picos de preço. “Essa sazonalidade faz toda a diferença no negócio”.

O Jovens em Campo continuou no sábado  dia 15, com mostra de startups, painéis de inovação e sucessão rural, apresentação do CNA Jovem, workshop dos jovens, entrega de protocolo de intenções da Comissão Jovem da Farsul aos diretores da Federação e cerimônia de encerramento. Na sexta-feira, a abertura ficou a cargo do coordenador da Comissão, Rafael Macedo, da diretora da Farsul e membro do comitê de organização do evento, Yara Suñe, e do assessor técnico do Sistema Farsul Luís Fernando Pires. O evento é uma realização do Sistema Farsul, em parceria com Sebrae/RS e BB Seguros.

O Sindicato Rural de Tupanciretã esteve presente no evento, com a presença de Gustavo Herter Terra (Presidente do Sindicato Rural), Bárbara Almeida (Presidente da Comissão das Produtoras Rurais) e com Amanda Richter e Priscila França (Membros da Comissão Jovens do Sindicato Rural).