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18 Março 2013

De onde virão os terneiros?

Uma preocupação séria da pecuária gaúcha é a crescente diminuição da oferta de terneiros nas feiras de primavera

Mais do que isso, a demanda por terneiros é maior do que a oferta em todos os períodos do ano, o que está diminuindo o tamanho do rebanho do Rio Grande do Sul. Não há reposição suficiente para manter os abates exigidos pelo mercado e pelo consumo de carne e, muito menos, para que os gaúchos possam pensar numa futura exportação da carne de qualidade que o estado sempre produziu. A preocupação é tão grande que a Federação da Agricultura (Farsul) está planejando um seminário para tentar responder a pergunta: de onde virão os terneiros? O secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, diz que, além do avanço da agricultura sobre terras de pecuária, o que está tirando espaço do gado, é inadmissível que o Rio Grande do Sul tenha cerca de 3,5 milhões de vacas e pouco mais de 1,1 milhão de terneiros. "Não podemos continuar com uma taxa de apenas 40% de nascimentos e manter vacas vazias nos pastos", afirmou. É tudo uma questão de nutrição.

O pecuarista Adroaldo Pötter, da Estância do Caty, em Santana do Livramento, põe a culpa, um pouco, sobre o capim-annoni, trazido do exterior para o estado há alguns anos, e que hoje já cobre 2 milhões de hectares de campo. De difícil digestão pelos animais, sem nutrientes e duro, machuca a boca e destrói os dentes, dificultando a alimentação, diminuindo os índices de prenhez e até antecipando a morte. Também impede o nascimento de outro tipo de vegetação. "Embora em nossas fazendas o índice de nascimentos chegue a 85%, em função de alimentação especial e outros tratos, a média gaúcha, como diz o secretário Mainardi, não passa dos 40%", disse Pötter.

Em consequência da má nutrição com annoni, segundo Pötter, a vaca só vai pegar cria aos 3 anos. No ano seguinte, está fraca e não entra em prenhez no quinto ano. No sexto ano, volta a ficar prenha e dá cria no sétimo. Aí, o produtor é obrigado a mandá-la para o frigorífico, porque já está ficando velha e não tem mais dentes, destruídos pelo tempo e pelo duro capim-annoni. "Resultado, em sete anos no campo, comendo pasto e sal, tomando remédios e gerando custos, uma vaca produz apenas dois terneiros", concluiu Pötter. O secretário Mainardi informou que a secretaria deverá lançar, em dois meses, um programa de incentivo à melhor alimentação do gado.