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03 Setembro 2018

10 medidas da Farsul para os presidenciáveis 2018

1 - COMPETITIVIDADE: O Brasil tem uma das maiores produtividades por hectare do mundo, ou seja, conseguimos com alta tecnologia produzir mais em menos área. Entretanto, também somos recordistas em custo de produção.

Na Soja, por exemplo, produzir no Brasil é 46,32% mais caro por hectare do que nos EUA, nosso principal competidor. Esses elevados percentuais também se verificam no Milho, no Arroz, no Algodão, no Trigo e em outras culturas quando da comparação com países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Austrália ou aqueles da Europa.

Se competimos num mercado de 7 bilhões de pessoas e os preços são iguais para todos, como ter custos tão diferentes, que espremem cada vez mais as margens dos produtores brasileiros?

Esse problema acontece porque temos uma pesada carga tributária que está escondida nos custos de produção, que varia entre 26 e 31% do custo de um hectare plantado, de acordo com o IBPT.

Ao efeito desta elevada carga tributária sobre o custo de produção se somam a ineficiência da logística brasileira (item 5), afetando tanto o envio da produção quanto o recebimento dos insumos, e a falta de liberdade econômica dos produtores (itens 2 e 3), que na prática são impossibilitados de importar insumos, tornando este mercado mais caro no Brasil.

É imperioso, para seguir tendo sucesso no Agronegócio, enfrentar a PERDA PROGRESSIVA DE COMPETITIVIDADE.

 

2 - MERCOSUL: O acordo com os vizinhos não tem sido um bom acordo para o país. Apesar de no geral termos superávit de U$ 12 Bilhões (muito pouco para o tamanho de nossa economia), ao agronegócio brasileiro o déficit é de US 2 Bilhões.

Os vizinhos são livres para colocar seus produtos agropecuários dentro do Brasil, mas os produtores rurais não são livres para comprar insumos nesses países, aliás nem mesmo aqueles fabricados e registrados no Brasil, os quais, estranhamente, são vendidos para os nossos concorrentes a preços bem mais baixos que os ofertados no mercado interno.

Nosso país poderia ter um superávit muito maior do este registrado no Mercosul, desde que tivesse acordos comerciais com países de economias semelhantes às escalas da brasileira. Um superávit de US$ 12 bilhões é insignificante em proporção ao PIB brasileiro.

O Mercosul não é um bom acordo comercial em especial para o Agronegócio brasileiro, mas poderia ser um pouco melhor caso os produtores tivessem a mesma liberdade que as indústrias têm de comprar seus insumos (produtos agropecuários) nestes países por preços mais baratos.

 

3 - ABERTURA ECONÔMICA: O Brasil é um dos países mais fechados do planeta, registrando altíssimas proteções para alguns grupos industriais.

Há multinacionais que aqui estão seguradas por legislações brasileiras de proteções às importações, as quais estas empresas não têm nem mesmo em seus países de origem, onde estão suas matrizes. Isso precisa acabar.

A real abertura econômica de nosso país passa necessariamente pela possibilidade de que o Agronegócio brasileiro possa comprar insumos onde for mais barato. Este movimento de abertura de nosso mercado certamente nos levará a novos consumidores para os produtos de exportação do Brasil.

4 - POLÍTICA AGRÍCOLA: O Seguro Rural é a principal política agrícola que um país pode ter. Esta ferramenta garante, nas principais economias rurais do mundo, a estabilidade de produção e renda do setor que fornece os insumos básicos para as mais variadas cadeias da economia.

Importante ainda que se defenda o fim de estatais que se transformaram em estruturas caras que consomem boa parte do orçamento federal com empreguismos e aparelhamento político ou das corporações.

A política agrícola precisa ser focada no produtor e não nos interesses do sistema financeiro ou das corporações de servidores.


5   - LOGÍSTICA: Como dito ao início, aqui se encontra um dos grandes problemas que da competitividade do país.

Se tivéssemos a estrutura logística norte americana, baseada em hidrovias e ferrovias, poderíamos reduzir o custo por km rodado em até 70%.

Precisamos transformar o país em um canteiro de obras, de Norte a Sul e de Leste a Oeste, com recursos privados e sem preconceito com recursos de outros países, com explorações via contratos mais longos, que permitam ao investidor ter seu payback sem precisar sacrificar os usuários com tarifas elevadas. Esse modelo além de ajudar em muito o agronegócio ainda teria, por força desses investimentos, um grande impacto em termos de PIB e geração de empregos.

Enquanto o agronegócio sinaliza essa demanda para termos maior infraestrutura de transportes, o Governo Brasileiro, de forma antagônica, sinaliza com Tabelamento do Frete, um enorme retrocesso que desejamos ver riscado de qualquer discussão séria sobre o tema.

 

6   – SUCESSÃO FAMILIAR RURAL: Nos países desenvolvidos, há cada vez menos pessoas vivendo no campo, no Brasil não é diferente. Manter parte da população longe dos grandes centros passa por tratar do tema da sucessão familiar rural.

Para que isto ocorra, o país precisa levar ao campo melhorias de infraestrutura que motivem os jovens a permanecerem na atividade, sendo que aqui não falamos apenas da necessidade de uma logística adequada para aproximar essas pessoas das grandes cidades (rodovias, ferrovias e hidrovias).

Os jovens do meio rural não são diferentes dos jovens urbanos, eles querem estar sintonizados e acompanhando o que há de mais moderno no mundo globalizado. Querem usar as redes sociais, como “Instagram”, o “Facebook”, o “WhatsApp”, e para isso é necessário ter internet de qualidade no campo.

Outro viés deste tema passa pelo fato do avanço tecnológico no agronegócio ser uma realidade. O que há de mais moderno se encontra no campo, estamos na era da “Agricultura 4.0” e a exigência de mão de obra qualificada, capaz de utilizar novas tecnologias, de forma mais eficiente, se faz necessária. Neste ponto surge a necessidade de apoio, através de parcerias público/privadas, como entre a Embrapa e o Senar, por exemplo, que visem a capacitar das populações do campo.

São medidas importantes, já que o setor rural para ser competitivo não admite espaços para amadores, nas propriedades de sucesso o modelo de gestão é de uma verdadeira empresa rural, seja ela pequena, média ou grande. Sendo assim, é com essas parcerias que vamos inserir os jovens numa empresa familiar, trabalhando a sucessão de uma forma natural e planejada, para que possamos cada vez valorizar aqueles que tanto contribui com o nosso País.

 

7- SEGURANÇA JURÍDICA NO CAMPO: Não existe negócio, seja ele pequeno, médio ou grande, que sobreviva com insegurança. Assim é com o produtor rural, que clama, como qualquer outro empresário ou investidor, por segurança, seja para o seu negócio, seja para sua família.

O respeito a livre iniciativa e ao direito de propriedade devem ser cláusulas pétreas da gestão pública. Para isso, precisamos de regras claras, com menor subjetividade e burocracia, em questões relacionadas aos temas ambientais (licenças, novas unidades de conservação, registro de agroquímicos), comerciais (exportação de gado vivo), fundiários (MST, índios e quilombolas), trabalhistas (normas reguladoras do Ministério do Trabalho), tributários (reforma tributária) e da segurança da própria propriedade rural (vigilância de fronteiras, policiamento rural e porte de arma rural).

 

8   - VALOR AGREGADO: É absolutamente impossível atingir os níveis de produtividade que são obtidos no campo sem uma complexa rede industrial e de serviços.

Para produção de grãos, fibras e demais produções agropecuárias uma enorme cadeia industrial foi erguida, no fornecimento de máquinas agrícolas, fertilizantes, química, bioquímica, petroquímica, eletrônica, fertilizantes, farmacêutica, robótica, drones, biotecnológica e assim por diante.

Há muita indústria por detrás da produção. As exportações de grãos ajudam a reindustrialização, já que diversos segmentos industriais têm no agro seu único ou no mínimo importante consumidor. A

PRODUÇÃO AGRÍCOLA GERA MUITO VALOR AGREGADO.

 

9   – MODERNIZAÇÃO DA LEI DOS AGROQUÍMICOS: Ninguém pode estar mais preocupado com os efeitos dos agroquímicos do que aqueles que os aplicam e armazenagem em suas propriedades. Quanto maior a lentidão de registro, maior será o intervalo entre os produtos que utilizamos e aqueles com atuação mais específica e de menor impacto. A lentidão nos registros somente interessa às empresas que desejam ter mais “tempo de prateleira” de seus produtos. Esse assunto deve ser discutido tecnicamente, independentemente do que “pensam” alguns artistas.

10 – ESTABILIDADE ECONÔMICA E CRESCIMENTO: Torna-se cada vez mais difícil empreender em um país instável e de baixo crescimento. Demandamos um Banco Central sério e independente, como tem sido nesta gestão, de forma a termos inflação mais baixa. A melhor política de crédito rural que pode existir é inflação baixa, pois neste caso o juro será baixo. Demandamos o comprometimento com o reequilíbrio fiscal e a volta dos superávits primários, mantendo a “Lei do Teto dos Gastos” e encaminhando ao Congresso, imediatamente após a posse, uma proposta de Reforma da Previdência que vá no sentido do equilíbrio fiscal de longo prazo. Demandamos uma Reforma Tributária, que modernize nosso sistema tributário. Crie-se um ambiente institucional que incentive o surgimento de novos negócios e estimule a concorrência. Por fim, demandamos o fim dos privilégios no setor público nas três esferas de Poder, com a modernização dos processos para reduzir a necessidade de mais servidores e a adoção de níveis salariais compatíveis com a iniciativa privada. Contratação de servidores em regime de CLT para cargos que não sejam de Estado. 

 

Gedeão Silveira Pereira

Presidente da Farsul

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